sábado, 10 de março de 2012

Baseado numa coisa real.

Eles são almas gêmeas... ou pelo menos eram... ou pensavam assim. Se conheceram há 4 anos por amigos em comum. E conversaram. E riram E se ajudaram. E se davam bem também. Com o tempo foram percebendo o quão diferentes eram isso visto por um lado era mau, mas pelo o outro poderiam ser as peças que faltavam no quebra-cabeça de uma criança. Ou de 1000 peças para complicar ainda mais.
O coração começou a bater mais rápido e ela não tinha percebido. O coração dele ia de encontro ao dela como se fossem dar as mãos.. mas ele não tinha percebido. Não, eles não podiam se apaixonar. eram amigos, muito amigos, quase... namorados. Ironia? Talvez, as era assim: "nossa, vocês combinam", "são namorados?", só faltavam dizer "cuida bem dela" mas não precisavam pois ele já fazia isso com maior cautela, como se ela fosse sua bailarinazinha de cristal.
Mas era pra ser, e como vocês já deem imaginar eles ficaram, se curtiram, curtiram o momento, curtiram simplesmente tudo como se fosse a última vez que eles iam se ver. Foi tão perfeito com seu devido encaixe, com o maior carinho do mundo. Eles eram perfeitos mas eram imperfeitos de tão diferentes que eram.
Namoro, problemas, brigas choro choro choro, assim mesmo sem nenhuma pausa. Mas se gostavam, se amavam talvez. Voltaram. Mil maravilhas, um milhão de sorrisos, infinita felicidade. Mias pra frente brigara, terminaram, voltaram, choraram, sorriram e o ais importante, se amaram. Tão profundamente que esqueceram todos seus defeitos e imperfeições.
Chegou uma hora que não deu mais. Separação definitiva. Dois anos anos sem conversar ,ambos acharam que o sentimento tinha ido com o tempo que foi longo. Certo dia ela disse com os olhos cheios de lágrima "ele me ligou" e em seguida um sorriso. Talvez eles sejam realmente feitos um para o outro, quando um dos dois se vai, sempre tem um jeito de voltar. E volta. E fica. E ama.

Me responde, então.

Vale a pena sofrer por amor? Chorar por nada? Fazer mal as pessoas? Magoá-las? Fingir ser quem você não é para se enturmar? Chorar por ter pedido alguém? Aliás vale a pena chorar? Odiar alguém? Iludir? Ver defeitos em você mesmo? Se odiar? Se machucar? Deixar de comer para emagrecer? Vale a pena comer demais? Se preocupar demais? Ou até de menos? Julgar? Ser julgado? Viver do jeito que você quiser? Quanto vale a felicidade?

terça-feira, 6 de março de 2012

Dias de ouro. Homem de ouro.

Mais um dia de trabalho, estava eu sentada no bar do hotel o qual me hospedava e pela porta passa o homem mais bonito que eu já vi. Tão perfeitamente arrumado, terno, maleta, vez em quando lambia os lábios, misterioso e sentou um pouco, bem pouco longe de mim, o suficiente para podermos nos conectar um com outro.
Percebi que havia uma certa tensão entre nós. Eu sentia seus olhos sobre mim, ou melhor, abaixo de mim se é que você me entende. Aqueles lábios vermelhos e úmidos me chamando em silêncio e eu ficava balançada pela tentação. Nossos olhares se encontravam com frequência, era quase um jogo sexual para ver quem resistiria mais. Ele começou a andar em minha direção, "ele vai falar comigo", pensei, mas tudo o que ele fez foi passar sua mão em minhas costas pedindo por licença sussurrando. Só esse gesto me fez respirar fundo. Ele seguiu para o banheiro e antes de fechar a porta ele olhou para mim e posso jurar que sorriu, aquele sorriso pervertido... Seria um convite?
Continuei sentada com os braços apoiados na mesa tomando meu martíni. Foi quando ele saiu e foi para o elevador. Bom ,eu já estava pensando mesmo em subir...
- Ei, segura aí.
Ele deu um sorriso com dentes tão brancos e retos que mais pareciam teclas de um piano.
- Vai subir? - ele perguntou.
Sua voz tão doce e ao mesmo tempo sensual ecoava em meus ouvidos e me fazia desejá-lo ainda mais. Minha vontade era de parar aquele elevador e beijá-lo lá mesmo, sentir seus braços me envolvendo enquanto minhas mãos bagunçavam seus cabelos perfeitamente arrumados e suas mãos descendo por entre minhas pernas e... eu tinha que parar de imaginar essas coisas, pelo jeito ficaríamos apenas na troca de olhares.
- Sim.
Não podia perder minha pose, sou uma lady. Por fora eu estava normal mas por dentro explodindo de tanto calor provocado por esse misterioso homem. Ele se virou para o espelho e deu uma ajeitada na gravata, logo em seguida perguntou-me:
- Ela está certa? A gravata.
- Ah... sim, está.
- Não, não está. Me faça um favor? Arrume-a para mim?
- Claro.
Teste de resistência, cheguei mais perto dele e peguei em sua gravata, arrumei atrás e ajeitei na frente. Estava sentindo seu cheiro, perfeitamente doce, e conseguia ver os poros de seu rosto e de sua barba mal feita. Senti sua respiração acima de minha cabeça também e em seguida suas mãos em minha cintura. Levantei meus olhos, ele estava me olhando tão profundamente que por um momento achei que ele estava lendo toda minha alma, não que isso fosse um problema, mas apenas me deixava com mais vontade dele.
O elevador parou.
- É aqui que eu paro. - ele quebrou o silêncio largando minha cintura.
- Eu também.
Sim, estávamos no mesmo projeto. Isso significa que trabalharíamos durante uma semana juntos. E só de pensar nisso já me dava um arrepio, um desejo daquele homem.
- Somos parceiros então!
- É... somos. - eu respondi com um sorriso forçado.
Saímos do elevador, tivemos um dia quase normal de trabalho, tirando o fato de que eu não consegui prestar atenção no que falavam. Tinha ficado olhando pra'quele homem e observando cada detalhe seu. Sua pinta perto da boca, sua pinta no pescoço, seu nenhum-defeito-em-lugar-algum, sua mania de coçar a cabeça e logo depois passar pro pescoço... Eu estava ficando obsessiva? Talvez.
E os dias foram passando, uma semana. Eu tinha uma semana para conseguir o que eu queria... e era ele. Ele era o que eu queria. Até que no dia cinco ele ligou em meu quarto às quatro e meia da manhã:
- Posso ir aí? Estou sem sono e você é a unica que eu posso conversar. Eu levo vinho. Juro!
- Pode sim.
Rapidamente me arrumei, ou melhor, arrumei o cabelo e escovei os dentes. Continuei de pijama. Ele chegou em cinco minutos com uma garrafa de vinho na mão e duas taças.
- Bom dia!
E sorriu, sorriu para mostrar todos aqueles dentes. Ele fazia de propósito?
- Bom dia. - me beijou no rosto e já foi entrando, abrindo a garrafa e sentando em minha cama. Sentei ao seu lado.
- Então? - perguntei. Quanto menos tempo ele ficasse lá, menos eu teria que me segurar para não agarrá-lo. Toda aquela vontade ainda estava presente. Você sabe... bagunçar seu cabelo já bagunçado enquanto ele me beija calorosamente me deitando na cama e essas coisas.
- Vou embora hoje a tarde, já fiz o que tinha que fazer e queria passar um tempo com você.
Percebi que ele estava chegando mais perto.
- Ah... fico feliz em saber que você me acha legal.
Por que eu fui dizer aquilo?
- Sim. - sua voz foi diminuindo para um tom mais sensual - Quero te conhecer mais.
Ele estava olhando bem nos meus olhos e finalmente o beijei. Não aguentava mais e ele ia embora nessa tarde. Meu beijo foi retribuído perfeitamente, foi como se encaixássemos. Suas mãos sobre minha cintura, meus dedos arranhando sua nuca. Fui deitada na cama e ele em cima de mim beijava meu pescoço, eu sentia uma respiração quente perto do meu ouvido e eu em uma incansável tentativa de me segurar. Mas não foi possível.
Ao ir acabarmos tudo, ele se levantou, se vestiu e me beijou, disse que me ligaria, mas eu sei que não ia fazer isso. Ao sair do meu quarto, meu celular toca. Era ele.
- Eu te disse que ia te ligar. Agora confia em mim?
Abri a porta do meu quarto e saí correndo atrás dele pulando em suas costas e beijando seu pescoço. Perfeito demais pra mim. Mas se não eu, nenhuma outra o teria. Isso era o que estava em minha cabeça... Depois desse dia. Nada mais aconteceu. Sem ligação. Sem mensagens. Sem contato. Só lembrança.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Uma história meio realista.

Era uma vez uma menina que sempre sonhou que seu príncipe encantado chegaria em um cavalo branco, com os cabelos sedosos, a pegaria nos braços e seriam felizes para sempre. Essa mesma menina nunca fez nada de errado, era a filha, aluna,irmã, neta, sobrinha e amiga perfeita. O tempo foi passando e ela ainda não havia se arriscado nenhuma vez, ao invés disso continuou esperando um príncipe chegar enquanto penteava seus lindos cabelos loiros. Mas olha que ironia, ela morreu. Morreu em um quarto com suas madeixas super longas, em uma cidade que mais parecia um lugar que dormiu no tempo, com os dedos furados por ter costurado seu vestido perfeito de casamento que nunca aconteceu e o único suposto príncipe que apareceu lá foi um ladrão que nem se quer estava num cavalo, ele andava com uma Biz roubada e era um anão. Ela não acordou ao ser beijada. Ela nunca foi beijada.
Qual é a moral da história? Contos de fada são mentirosos. E aproveita sua vida, não espere que tudo vai sair conforme você planejar, não se iluda com a vida, essa traiçoeira.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Você. Passado recente.

Você foi tudo de pior.
Era um mala sem alça.
Um idiota.
Um babaca.
Um colecionador de lágrimas.
Uma péssima pessoa.
Mas apesar de tudo isso você era meu e isso o tornava perfeitamente unico.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sentimentos reprimidos em palavras livres - III

26 de agosto de 2010 - Oi Rick. Hoje estava passando pela rua e vi um casal de velhos sentados. Enquanto eu esperava meu pai voltar, fiquei os observando. Eles ficaram boa parte do tempo quietos, umas vezes se entreolhavam, outras ficavam cada um olhando para um canto diferente. Eu via nos olhos daquela senhora uma vida. Bem vivida e cansativa, via também amor. Amor puro por seus possíveis filhos, netos e por seu marido. Este já tinha o rosto mais cansado, mas também com aquele amor no olhar.
Comecei a pensar e se não envelhecêssemos? Se pudéssemos escolher um momento, uma idade e viver nela para sempre como se fosse um loop temporal? Se fossemos imortais? Como seria? Talvez iriamos duplicar, triplicar o número de pessoas. Ficaríamos sem comida. Doenças aumentariam e pessoas a beira da “morte” provavelmente ficariam num sofrimento eterno.
Pensa também que a imortalidade nos deixaria entediados, certo? Pelo menos eu me entediaria. Imagina a mesma rotina, as vezes com algumas mudanças, durante toda a eternidade até talvez o fim do mundo.
Na verdade, parar pra pensar nessa coisa de imortalidade meio que me confunde... e muito! Se as coisas fossem imortais, então não haveria fim do mundo? Ou o sol nos queimaria? Mas como seriamos imortais, não íamos morrer certo?
Morte, conto com você.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Sentimentos reprimidos em palavras livres - II

25 de agosto de 2010 – Olá, Diário Rick. Não escrevi ontem porque não deu tempo. Dormi demais como sempre. Mas enfim, eu estava pensando hoje na quão boba eu sou. Não sei por que nunca consigo me enturmar, essa minha timidez acaba comigo. Sabe... me impede de fazer muitas coisas e isso me mata um pouco pois fico naquele paradoxo de “devia ter feito ou não”. Um ser ou não ser eis a questão... Tá confuso, né? Deixa que eu explique. Isso aconteceu hoje. Estava na escola, certo, até aí nada de errado. Mas então chega o incrível menino que eu havia dito antes, cheio de luz própria e eu derretendo-me por ele. Rick, olha que cena de filme. Ele veio me perguntar alguma coisa que eu não entendi muito bem, apenas escutava a voz dele como se fosse uma canção. Eu não o respondi. Isso mesmo, fiquei parada, sorrindo com cara de boba-apaixonada! Não sabia se saía correndo ou ficava parada e perguntava: “pode repetir, por favor?”, tudo o que saiu da minha boca foi um grunhido estranho. Odeio essa timidez. Não é a primeira vez nem a última que ela me atrapalha.
Hoje fui na psicóloga, não sei se te disse mas eu estou indo na psicóloga fazem uns 2 meses. Foi ela quem me disse para começar a escrever. Na consulta de hoje ela disse que eu estou melhor (melhor do que?) e que se eu continuar assim não vou precisar ir a muitas outras consultas.
Minha mãe começou a quimioterapia hoje, ela disse que dói. Quando eu ouvi isso, quis estar no lugar dela. Não posso ver minha rainha sofrer, dói em mim imaginar isso. Mas ela vai ficar bem! Tudo vai ficar bem. Hoje eu a abracei e falei que a amava, ela deu um sorriso tão lindo que eu poderia ficar vendo-a sorrir sem parar.
Boa noite, Rick!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sentimentos reprimidos em palavras livres - I

23 de agosto de 2010. – Oi. Não sei como se começa um diário, nunca escrevi um. Aliás, não sei se posso considerar isso um diário, é mais como um caderno de autoajuda. Mariana, dezesseis anos, nunca fui conhecida como Mari, nunca fui conhecida pra falar a verdade. Tenho que contar um pouco sobre minha vida, então? Certo, tentarei fazer isso.
Eu nunca fui uma menina excepcionalmente inteligente, com dons incríveis, cheia de amigos e odiada por quase ninguém. Eu sou de inteligência normal, dons normais (às vezes acho que não tenho nenhum dom), amigos que posso contar nos dedos de uma mão só e odiada por muitos. Nunca me preocupei muito com esse negócio de aparência e moda. Gosto mesmo é de comer. E dormir. Comer e dormir são meus assuntos preferidos. Não tenho autoestima, mas também não sou gorda. Minha família é quase perfeita. Meus pais são separados, tenho um irmão mais novo que é um anjo. Minha mãe é minha rainha e meu pai já tem outra família.
Mês passado descobrimos que minha mãe está com câncer. Claro, foi um choque para todos. Meu pai ajudou a gente, ele é meu príncipe. Ela está sendo a pessoa mais forte que eu já conheci na minha vida, mas infelizmente o câncer está matando-a, e a mim também. Mas eu ainda tenho esperança de que tudo vai se ajeitar e a gente vai ser como antes. Sabe... feliz é a palavra.
Eu sempre pensei em mim como alguém que nunca iria se apaixonar ou sofrer por alguém. Enganei-me mais uma vez. Vou te falar a verdade, Rick (é esse seu nome, ok diário-caderno?) está sendo difícil para eu admitir que finalmente alguém conseguiu me conquistar. Sempre falei: “ah, não vou gostar de ninguém por hora...” e olha só o que aconteceu. Não gosto de ser a metida apaixonada, mas é uma sensação boa. Ele não sabe disso ainda, não tive coragem pra contar. Mas quando eu o vejo, é aquela coisa de coração palpitar, conseguir apenas vê-lo em uma multidão e essas coisas normais que todos já passaram. O que mais me dói é o fato dele ter uma garota. E parece que eles se gostam... Talvez seja por isso que eu não contei ainda o que eu sinto. Minha vontade é olhar em seus olhos e falar: “menino, cuida de mim. Te amo!”. Mas onde entra a coragem?
Está tarde e como introdução acho que está bom. Boa noite, Rick.