sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sentimentos reprimidos em palavras livres - I

23 de agosto de 2010. – Oi. Não sei como se começa um diário, nunca escrevi um. Aliás, não sei se posso considerar isso um diário, é mais como um caderno de autoajuda. Mariana, dezesseis anos, nunca fui conhecida como Mari, nunca fui conhecida pra falar a verdade. Tenho que contar um pouco sobre minha vida, então? Certo, tentarei fazer isso.
Eu nunca fui uma menina excepcionalmente inteligente, com dons incríveis, cheia de amigos e odiada por quase ninguém. Eu sou de inteligência normal, dons normais (às vezes acho que não tenho nenhum dom), amigos que posso contar nos dedos de uma mão só e odiada por muitos. Nunca me preocupei muito com esse negócio de aparência e moda. Gosto mesmo é de comer. E dormir. Comer e dormir são meus assuntos preferidos. Não tenho autoestima, mas também não sou gorda. Minha família é quase perfeita. Meus pais são separados, tenho um irmão mais novo que é um anjo. Minha mãe é minha rainha e meu pai já tem outra família.
Mês passado descobrimos que minha mãe está com câncer. Claro, foi um choque para todos. Meu pai ajudou a gente, ele é meu príncipe. Ela está sendo a pessoa mais forte que eu já conheci na minha vida, mas infelizmente o câncer está matando-a, e a mim também. Mas eu ainda tenho esperança de que tudo vai se ajeitar e a gente vai ser como antes. Sabe... feliz é a palavra.
Eu sempre pensei em mim como alguém que nunca iria se apaixonar ou sofrer por alguém. Enganei-me mais uma vez. Vou te falar a verdade, Rick (é esse seu nome, ok diário-caderno?) está sendo difícil para eu admitir que finalmente alguém conseguiu me conquistar. Sempre falei: “ah, não vou gostar de ninguém por hora...” e olha só o que aconteceu. Não gosto de ser a metida apaixonada, mas é uma sensação boa. Ele não sabe disso ainda, não tive coragem pra contar. Mas quando eu o vejo, é aquela coisa de coração palpitar, conseguir apenas vê-lo em uma multidão e essas coisas normais que todos já passaram. O que mais me dói é o fato dele ter uma garota. E parece que eles se gostam... Talvez seja por isso que eu não contei ainda o que eu sinto. Minha vontade é olhar em seus olhos e falar: “menino, cuida de mim. Te amo!”. Mas onde entra a coragem?
Está tarde e como introdução acho que está bom. Boa noite, Rick.

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